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WEF anuncia plano de ação para edifícios zero carbono

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O Fórum Econômico Mundial (World Economic Forum – WEF) anunciou um novo plano de ação com um conjunto de princípios com o objetivo de ajudar a criar edifícios com zero emissão de carbono e assim atender aos principais compromissos climáticos.

Segundo a organização, os edifícios contribuem com 38% das emissões de gases geradores do efeito de estufa relacionadas ao consumo de energia. No entanto, permanece pouco claro para atores do setor imobiliário o que significa ser “zero carbono”, e falta uma estrutura comum que descreva as etapas de uma estratégia para atingor tal meta.

Os princípios voltados à Construção Ecológica delineados pelo WEF buscar justamente definir o o conceito de descarbnização no mercado imobiliário e traçar as principais ações de acordo com um conjunto coerente de princípios padronizados em nível mundial.  Contando com esses recursos, será possível reduzir materialmente a pegada de carbono dos espaços que as empresas ocupam, possuem ou em que investem.

Em números, o fórum espera que esses princípios e ajudem a reduzir as emissões relacionadas à construção em 50% até 2030 e ter carteiras de imóveis descarbonizadas até, no máximo, 2050.

Em linhas gerais, os Princípios de Construção Ecológica descrevem as principais etapas para atingir a meta “zero carbono”:

1. Calcular a pegada de carbono do imóvel. Trata-se do cálculo ou da estimativa das emissões de carbono associadas a um negócio que podem ser divididas em Escopo 1, 2 e 3. Em resumo, as emissões de Escopo 1 são geradas pela combustão direta de combustível realizada pela empresa. As emissões de Escopo 2 são indiretas e provenientes de energia comprada (por exemplo, eletricidade); e as de Escopo 3 são todas as demais emissões indiretas que ocorrem na cadeia de valor da empresa.

2. Estabelecer uma meta anual para que seja possível a descarbonização total até 2050 e uma data intermediária para reduzir, pelo menos, a metade das emissões atuais até 2030. Os princípios explicam como  proceder em casos em que os espaços sejam alugados ou subalocados, estejam em processo de aquisição ou outros cenários.

3. Medir e registrar o carbono incorporado em novos empreendimentos e grandes reformas. Carbono incorporado se refere às emissões produzidas antes do edifício se tornar operacional e quando for desativado. São normalmente geradas por atividades de extração de matéria prima, transporte, construção, reforma, demolição e gestão de resíduos.  Essas emissões devem responder por cerca de 50% de toda a pegada de carbono de novas construções entre os dias atuais e 2050.

4. Maximizar a redução de emissões para os novos empreendimentos e grandes reformas em andamento para que seja possível atingir a meta “zero carbono” (operacional e incorporada) até o data final definida.

5. Impulsionar a otimização do consumo de energia em ativos atuais e novos empreendimentos.

6. Maximizar a oferta de energia renovável.

7. Garantir que 100% de energia adquirida venha de fontes renováveis, quando disponíveis.

8. Incentivar grupos de influência em sua cadeia de valor a reduzir as emissões .

9. Adquirir compensações de carbono de alta qualidade para compensar emissões residuais.

10. Buscar relacionar-se com grupos interessados em unir esforços e compartilhar custos e benefícios provenientes das intervenções. Essa jornada pode ser visualmente representada na figura abaixo:

Fonte: Net-zero carbon (NZC) framework – WEF

Desafios e oportunidades

Os desafios relacionados à descarbonização dos edifícios são grandes. A expectativa é que a área total de construção em nível mundial dobre até 2060, contudo apenas 3% dos investimentos em novas construções serão ecológico e eficientes, gerando altas emissões década após década. A taxa de renovação dos edifícios já existentes é de apenas 1%, menos de um terço da proporção necessária para cumprir as metas climáticas do Acordo de Paris.

A boa notícias é que há tecnologia disponível para reduzir as emissões, melhorar a qualidade de vida das pessoas e manter a prosperidade econômica, dizem os especialistas do WEF.

Além da descarbonização associada às redes de energia elétrica, há outras iniciativas que podem contribuir para o ideal dos edifícios “zero carbono”. Eletrificação adequada dos espaços prediais e o aquecimento da água; melhorias para reduzir a demanda de energia; e digitalização para garantir flexibilidade para atender às necessidades dos ocupantes são três grandes linhas de atuação.

A eficiência energética, particularmente quando facilitada pela digitalização dos sistemas, é fundamental para permitir a redução dinâmica do consumo. Cada dólar investido em eficiência energética assegurará o retorno de US$ 3 ao longo do tempo e economizará US$ 2 em investimentos no fornecimento de energia.

O WEF batizou essas iniciativas de “Os quatro bons DEEDs” –  Descarbonização, Eletrificação, Eficiência e Digitalização, e espera que esse esquema asfalte um caminho abrangente para que edifícios e comunidades sigam na direção de um futuro com baixas emissões de carbono.

Digitalizar para flexibilizar

A digitalização, segundo o Fórum Econômico Mundial, visa fornecer a flexibilidade necessária para atender às necessidades dos ocupantes do edifício e da rede de energia. E passa pela implementação doss edifícios inteligentes, bem gerenciados.

O objetivo de criar um edifício inteligente é reduzir despesas operacionais, melhorar o conforto dos ocupantes, automatizar o gerenciamento do consumo de energia, rastrear o status dos principais ativos do edifício e atender às regulamentações globais e aos padrões de sustentabilidade do setor.

Um prédio de escritórios ou complexo comercial inteligente permite o controle automatizado e centralizado de água e eletricidade da estrutura, iluminação, aquecimento, ventilação, segurança, vagas de estacionamento, gerenciamento de resíduos, elevadores e saídas de emergência, controle de acesso a sistemas de computador e manutenção de jardins e equipamentos em uma rede IoT.

Para serem eficazes, os edifícios inteligentes requerem um monitoramento complexo das redes IoT que controlam todos os sistemas de automação.

O monitoramento do estado do edifício rastreia os ativos do edifício, registra o consumo de recursos, identifica danos inesperados e falhas de equipamento, mantém cronogramas de manutenção otimizados e alerta as autoridades relevantes sobre problemas dentro e ao redor de um edifício.

Compromisso

Embora edifícios e comunidades com emissão zero de carbono possam parecer complexos e raros, eles estão rapidamente se tornando populares com o apoio de organizações globais, como Architecture 2030 , Global Alliance for Buildings and Construction e o World Green Building Council. Uma série de cidades, empresas e organizações imobiliárias já se comprometeram a ter carbono 100% zero em seu portfólio até 2030. 

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