SpaceX solicita licença para constelação de 30 mil satélites na banda W

Internet starlink satellite in space near Earth.

Outubro 30, 2023

A SpaceX apresentou à União Internacional de Telecomunicações (ITU) um pedido para operar uma constelação de cerca de 30 mil satélites em 288 planos orbitais e variadas altitudes entre 350 km e 614 km. A rede, denominada ESIAFI II, planeja utilizar frequências de banda W para serviços fixo e móvel por satélite. A solicitação foi feita por meio da ilha de Tonga, na região do Pacífico, como base regulatória. As informações são do site Space Intel Report.

Desde sua primeira licença para a primeira geração Starlink concedida em março de 2018, a SpaceX implantou milhares de satélites para levar o acesso à Internet de banda larga a diversas localidades nos Estados Unidos e no exterior, mesmo em regiões remotas. Cinco anos depois, a empresa contabilizava em julho de 2023 aproximadamente 4.000 satélites em órbita.

Recentemente, a SpaceX também apresentou uma nova geração de satélites chamada V2 com duas versões: uma compatível com o veículo de lançamento Falcon 9 e outra compatível com a Starship. Segundo a empresa, os satélites V2 lançados no Falcon 9 são um pouco menores, por isso se refere a eles como “V2 Mini”, mas alertando que, apesar do nome, um satélite V2 Mini tem quatro vezes mais capacidade em comparação com seus equivalentes anteriores.

Até agora, as bandas usadas pelos satélites da SpaceX para prestar serviços de Internet banda larga são as bandas Ka e Ku. Por definição do Instituto de Engenheiros Elétricos e Eletrônicos (IEEE), a banda Ka usa frequências de 27 GHz a 40 GHz  e seu principal uso é justamente a comunicação com satélites. Já a banda Ku vai de 12 GHz a 18 GHz.

A SpaceX também usa a banda V, que é a faixa entre 40 GH e 75 GHz. Em março passado, a empresa pediu à FCC permissão para usar cargas úteis da banda V nos novos satélites em vez de usar uma constelação separada. A SpaceX também pediu à FCC que sua frota de segunda geração operass no espectro da banda V.

Já a banda W, citada no pedido da SpaceX feito à ITU, ocupa a faixa entre 75 GHz e 110 Ghz, ficando acima da banda V. Já foi testada pela Ericsson e Deutsche Telekom em abril de 2021 para backhaul 5G.

A banda W está sendo considerada aliada dos novos sistemas de satélite de alto rendimento (High Throughput Satellite – HTS) por oferecer capacidades de banda extremamente largas. No entanto, mudar para frequências mais altas também impõem desafios em termos da complexidade da modelagem da propagação dos sinais atmosfera da Terra. Perdas atmosféricas, ruídos e mudança de temperatura são mais severos na banda W do que em frequências mais baixas, como as bandas V.

Mais novidade

Outra novidade da SpaceX é uma página no site da Starlink destinada a serviços de telefonia. Satélites Starlink com recursos Direct to Cell, compatíveis os atuais telefones LTE, vão dar acesso onipresente a mensagens de texto de qualquer local em terra ou regiões costeiras a partir de 2024. Já serviços de voz e dados devem estar disponíveis em 2025, além de conectividade com dispositivos de Internet das Coisas (IoT) via padrão LTE.

Antes de lançar o serviço oficialmente, a SpaceX precisa da autorização da Federal Communications Commission (FCC), órgão dos Estados Unidos competente por fiscalizar o espectro de radiofrequência do país e atribuir canais de rádio e TV, serviços de telefonia e TV por assinatura.

Pedido de correção

O tamanho das constelações da Starlink no espaço já é tão grande que motivou um relatório sobre possíveis riscos causados por detritos de satélites caindo do espaço e ferindo ou até matando pessoas no solo. A Federal Aviation Administration (FAA) dos Estados Unidos, órgão regulador que licencia o lançamento de satélites, apresentou um documento ao congresso norte-americano no início de outubro, afirmando que satélites da SpaceX serão responsáveis por 85% dos riscos para as pessoas no solo e para a aviação por conta da reentrada de lixo espacial na próxima década.

O estudo sugere que, “se o esperado crescimento da grande constelação se concretizar e se os detritos dos satélites Starlink sobreviverem à reentrada, uma pessoa deve ser ferida ou morta a cada dois anos” até 2035. A análise calcula que a probabilidade de uma aeronave ser derrubada por conta de uma colisão com detritos espaciais pode chegar a 0,0007 por ano também até 2035.

A SpaceX contestou fortemente o relatório em uma carta datada de 9 de outubro, descrevendo as alegações da FAA como “absurdas, injustificadas e imprecisas”, e solicitou ao órgão regulador que corrija o relatório, informou a CNN. Na carta, a SpaceX afirma que seus satélites são projetados e construídos para desaparecer completamente durante a reentrada atmosférica. Segundo a empresa, 325 satélites Starlink já saíram de órbita desde fevereiro de 2020 e nenhum destroço foi encontrado.