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Smart Buildings: da pandemia aos investimentos ESG

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Um dos efeitos mais visíveis da pandemia foi notado quando áreas comerciais movimentadas em grandes cidades sumiram do mapa. Em questão de dias, milhões de pessoas ao redor do mundo deixaram de se deslocar pelas vias para ir aos seus compromissos e migraram dos ambientes de trabalho tradicionais para realizar suas tarefas profissionais em casa.

No caso específico de grandes edifícios corporativos, shopping centers e outros centros imobiliários, o que se viu foi a avalanche de inquilinos com dificuldade para pagar seus aluguéis, lojas fechando suas portas, e grandes companhias flexibilizando, quem sabe, até em definitivo, o trabalho remoto e consequentemente diminuindo a demanda por espaço físico em seus escritórios. Como resultado, o mercado imobiliário sofreu um baque dramático com uma redução acentuada e abrupta do fluxo de rendimentos até então estável e de baixo risco.

“A pandemia provocou uma mudança na função dos prédios comerciais, e seus proprietários  e administradores tiveram de começar a se reinventar”, afirma David Montoya, vice-presidente de Desenvolvimento de Negócios da Paessler AG para as Américas, empresa que oferece soluções de monitoramento de edifícios. No entanto, segundo o executivo, o que poderia ser encarado apenas como crise pode se tornar um impulsionador de investimentos sustentáveis em edifícios inteligentes, fundamentados em práticas ESG (Environmental, Social and Governance). Agora, há uma necessidade genuína de proprietários de prédios comerciais e empregadores considerarem o impacto de edifícios e locais de trabalho sobre as pessoas que por eles transitam.

David Montoya - Paessler
David Montoya, VP de Desenvolvimento de Negócios da Paessler AG

Edifícios inteligentes são compostos por uma infraestrutura digitalizada de dispositivos e aplicativos integrados, todos conectados – local e remotamente e à nuvem – que, em particular, podem facilitar a promoção de iniciaitivas ESG. Por exemplo, uma exigência no mundo pós-pandêmico que pode ser vista como primeiro passo dos investimentos ESG tem a ver com a garantia de um ambiente de trabalho seguro, saudável e acolhedor. “A COVID-19 levou as empresas a redefinir a prioridade de suas estratégias de gestão de locais de trabalho com vistas à retenção de talentos e segurança dos funcionários”, ressalta a consultoria Verdantix em um relatório sobre previsões para edifícios Inteligentes.

De grande importância sanitária para o retorno aos escritórios, esse também pode ser um modo de começar a abordar questões sociais, ambientais e de gestão predial. Ambientes corporativos podem adotar tecnologias touchless para manter medidas de higiene e reduzir o número de superfícies que precisam ser limpas regularmente. Essas medidas terão reflexos na saúde dos funcionários e no uso de recursos, questões intrinsicamente associadas aos vértices das estratégias ESG.

Para Montoya, serviços digitais via aplicativos são outro componente importante dos edifícios inteligentes com dupla função – tanto para ajudar a superar a crise da pandemia, mas também para dar mais um passo na direção das práticas ESG. “Como se fossem concierges digitais, esses serviços podem ser usados como principal interface de interação em edifícios inteligentes. Com eles, cadastros de visitantes ou solicitadas ações de manutenção podem ser feitos sem contato humano, por exemplo, promovendo o distanciamento social em tempos de COVID-10”, afirma Montoya.

De outro lado, também são os aplicativos uma peça fundamental para explorar dados coletados em várias frentes dos edifícios inteligentes e refiná-los a fim de gerar valor ESG e garantir experiências mais ricas para os ocupantes e zeladores dos edifícios inteligentes com conforto e comodidade. Usando apps simples,  é possível localizar visitantes, navegar pelos ambientes dos prédios e  ajustar os sistemas de climatização e a iluminação, para citar alguns casos.  Assim, pode-se melhorar a gestão predial com processos mais produtivos e sustentáveis Além disso, aplicativos podem ajudar  a melhorar o equilíbrio entre vida profissional e pessoal com soluções que possam formar comunidades de interesse, por exemplo, para relacionamento fora do ambiente de trabalho. Tudo isso tem a ver com o universo ESG.

O executivo da Paessler AG explica que  costumam fazer parte do design de edifícios inteligentes de novas construções ou de projetos de retrofit diversas soluções tecnológicas, tais como as que abordam controle de recursos (energia e água, por exemplo), segurança, automação e gestão predial. Portanto, a abordagem para colocar em prática um projeto de edifício inteligente não é um exercício fácil. É necessário conectar uma plataforma de hardware inteligente a blocos de construção tradicionais, sem deixar de lado a mentalidade ESG.

A boa notícia é que não é preciso ir com muita sede ao pote. Para Montoya, cada um desses componentes de edifícios inteligentes possui complexidades e custos  de implantação específicos e podem ser adotados de acordo com os objetivos de cada projeto. “Em geral, os subsistemas de automação, que são capazes até de produzir respostas automáticas, são os que exigem investimentos maiores”, destaca.

O executivo ressalta, porém, que os esforços se justificam. Sistemas de automação e monitoramento usados em edifícios inteligentes podem coletar dados para análise com o objetivo de otimizar ações de planejamento e manutenção e, em última instância, garantir a sustentabilidade, reduzir custos e gerar novas fontes de receita.

Montoya cita o caso de um shopping center no México. Depois de analisar imagens de  câmeras de segurança, a equipe de gestão predial notou áreas de menor tráfego de pessoas. De posse dessa informação, foi possível realizar realocação de lojas estimulada por aluguéis mais baixos e realizar promoções que resultaram em melhores resultados financeiros – ou seja, ações comerciais inteligentes possibilitadas por tecnologias de edifícios inteligentes.

Pesquisa do ResearchAndMarkets.com mostra como há um mercado ávido por edifícios com mais inteligência. Mais de 78% das novas construções devem envolver, pelo menos, uma faceta da tecnologias relacionadas ao setor de prédios inteligentes ao longo dos próximos cinco anos. Além disso, cerca de 83% das construções antigas em economias desenvolvidas devem necessitar de um retrofit substancial.

Apenas para citar um exemplo emblemático da demanda por tecnologias para prédios inteligentes. Os edifícios norte-americanos desperdiçam até 30% da energia que consomem por falta de inteligência e tecnologia. A maneira de resolver isso é reduzir esse desperdício, certamente, é por meio do uso de tecnologia para monitorar, rastrear e otimizar o consumo de energia.

“Tamanho é esse mercado que deve ser explorado por um ecossistema diversificado de provedores, capazes de estabelecer parcerias e mostrar a gestores e proprietários de imóveis os benefícios de edifícios inteligentes”, destaca Montoya. Inteligência essa que também ajudará a preparar o setor imobiliário para, em geral, para atrair interesse de investimento e se adequar a regulamentações mais rigorosas em torno de princípios ESG que podem estar por vir.

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