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Seul será pioneira em serviços públicos no metaverso

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Seul será a primeira cidade a oferecer serviços públicos usando uma plataforma de metaverso. A iniciativa pretende estabelecer um canal de comunicação sem contato e deve ganhar forma até o final do próximo ano, com um ecossistema reunindo todas as áreas da administração municipal (econômica, cultural, turística, educacional). 

Um programa-piloto conceberá um evento virtual para soar o sino em Bosingak Belfry no final deste ano e, posteriormente, a prefeitura criará na plataforma de metaversos instalações e serviços de apoio aos negócios, entre eles o Gabinete Virtual do Prefeito e um laboratório para fintechs. 

Em 2023, a iniciativa pretende abrir o Metaverse 120 Center como um centro virtual de serviços públicos onde avatares farão o papel de funcionários públicos. Além disso, as principais atrações turísticas de Seul, como Gwanghwamun Plaza, Palácio Deoksugung e Mercado Namdaemun, serão apresentadas em uma Zona Turística Virtual, e recursos históricos perdidos, como o Portão Donuimun, serão recriados no espaço virtual.  

A partir de 2023, os principais festivais da cidade, como o Festival de Lanternas de Seul, também serão realizados no metaverso para que possam ser apreciados por pessoas ao redor do mundo. A prefeitura  também desenvolverá serviços para grupos socialmente vulneráveis, com conteúdo sobre segurança e conveniência para pessoas com deficiência usando realidade estendida (XR). 

A prefeitura de Seul já anunciou um plano-mestre de cinco anos para promoção do metaverso, com 20 tarefas para sete áreas – econômica, educacional, cultural e turismo, comunicação, desenvolvimento urbano, administrativo e infraestrutura -, refletindo as tendências e demandas dos serviços do metaverso nos setores público e privado. Esta é uma das principais estratégias para fazer de Seul uma “futura cidade emocional”, na qual tradição, presente e futuro coexistem para curar a vida cotidiana dos cidadãos exaustos com as consequências da COVID-19 e para elevar a dignidade da cidade. 

Tradição em universos paralelos  

Se consideramos que videogames são uma forma lúdica de metaversos, a iniciativa da prefeitura de Seul tem tudo para dar certo junto a seus cidadãos que, como coreanos, são  ávidos por jogos eletrônicos. Uma evidência é o tamanho do próprio mercado de jogos da Coreia do Sul, que deve ultrapassar US$ 16,6 bilhões em 2021, impulsionado por entusiastas que permanecem fiéis desde os dias dos jogos de fliperama (Arcade). Para se ter ideia da relevância do mercado de games no país, ele representa quase um terço do mercado automotivo doméstico. 

No entanto, o conceito de metaverso não está restrito aos limites do mundo dos games. Por exemplo, a Zepeto, da Naver Z Corporation, é uma plataforma de metaversos da Coréia do Sul, com mais de 200 milhões de usuários ao nível mundial, usada para compras e encontros sociais. Marcas como Nike, Gucci e Ralph Lauren já possuem lojas virtuais na Zepeto para vender produtos digitais.  

Além de comprar, também possível ganhar dinheiro no metaverso – o Zepeto Studio permite que usuários criem seus próprios itens e os comercializem.  A indústria do gênero musical K-pop também está investindo na plataforma. Em 2020, a YG Entertainment e a Big Hit Entertainment anunciaram um investimento de cerca de US$ 10,4 milhões na Zepeto. Outro setor sul-coreano que está investindo em metaversos é o de telecomunicações, com uma plataforma própria. 

O governo da Coreia do Sul está apostando nos metaversos. Em maio de 2021, o Ministério da Ciência e de TICs criou uma Aliança de Metaversos para coordenar e promover o desenvolvimento desse conceito e tecnologias associadas que já reúne cerca de 500 empresas, como Samsung, Hyundai Motors, SK Telecom e KT. A associação pretende ser parte vital do plano do governo para desenvolver uma economia virtualmente convergente. A promessa é fornecer recursos que somarão até US$ 26 milhões somente em 2022. 

E tradição em infraestrutura digital

Para suportar um conceito tão arrojado como o Metaverso a infraestrutura digital não pode se limitar a um pequeno número de locais físicos. Ela precisa ser extensa, mesmo que pareça local e exiba latência ultrabaixa. Já sabemos que os dispositivos de realidade virtual podem fazer com que seus usuários se sintam mal se a latência ou a perda de pacotes fizerem com que a experiência de realidade virtual gagueje ou pare. E, embora continue a crescer em um CAGR sólido, se as experiências de RV já fossem ótimas, a indústria estaria vendendo mais dispositivos do que é hoje.

Em artigo para o Data Center Frontier, Phillip Marangella, CMO da EdgeConneX, ressalta que a extrapolação desses requisitos de RV para um ambiente virtual mais amplo e poderoso exigirá uma transmissão e sincronização audiovisual suaves. Haverá um equivalente ao processamento de taxa de bits adaptável para o metaverso? Os primeiros 30 segundos da experiência de um usuário no metaverso sofrerão de imagens e áudio de baixa resolução? Os usuários aceitarão resultados abaixo do ideal inicialmente como uma compensação por uma experiência nova e sem precedentes? Com que rapidez a infraestrutura mínima pode ser construída e operacionalizada?

Essas perguntas não tratam de coisas como segurança, comportamentos meta-sociais aceitáveis, autenticação ou outros tópicos críticos que afetarão a forma como os usuários respondem a este novo ambiente promissor.

Em uma postagem recente , Matthew Ball, cofundador da Ball Metaverse Research Partners, e Jason Navok, CEO da Genvid Technologies, observam que, embora seja verdade que o processamento em nuvem e rede está acelerando, os processadores de dispositivos do usuário final estão acelerando em um ritmo mais rápido, sugerindo que uma grande parte do processamento do metaverso ocorrerá localmente no dispositivo. No entanto, mesmo se estipularmos que eles estão exatamente certos, isso ainda deixa grandes quantidades de dados, metadados e poder de processamento que serão necessários fora do dispositivo, mas ainda relativamente perto dos usuários finais.

Nada disso deve ser um problema muito grande para Seul, que tem uma das notas mais altas do mais recente relatório de smart cities publicado pelo Eden Strategy Institute. Os “cidadãos inteligentes” estão no centro do plano geral de smart city traçado pelo governo local, lado-a-lado com as infraestruturas e serviços. A visão consiste em utilizar o TI ao longo da cidade para transformar a vida dos cidadãos, incluindo os mais desfavorecidos, através de um desenvolvimento regional equilibrado. As metas políticas abrangem os domínios do tráfego, segurança, ambiente, bem-estar social, economia e administração. Seul pretende implementar mais 50 mil sensores IoT por toda a cidade até 2022, para monitorar partículas no ar, a direção do vento, ruído, vibração e movimentos populacionais.

Em outras palavras, Seul tem uma infraestrutura de cidade inteligente de ponta. … E já vinha caminhando para se tornar uma “cidade de dados grátis” até 2022, onde qualquer pessoa poderá usar o WiFi público gratuitamente em qualquer lugar da cidade. As redes IoT públicas serão expandidas, possibilitando a oferta de serviços como estacionamento compartilhado e até participação cidadã no metaverso.

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