Resiliência energética pode ser obtida com software de código aberto

A MICROGRID is a group of interconnected loads and distributed energy resources within clearly defined electrical boundaries that acts as a single controllable entity with respect to the larger grid.

Junho 27, 2023

Usar soluções de código aberto para impulsionar a resiliência energética por meio dos microgrids. Esse foi o foco de uma publicação recente da Linux Foundation que detalha o estado atual do mercado de microgrids e explica como os sistemas de código aberto podem contribuir para acelerar a adoção de microrredes em todo o mundo. Microgrids, ou microrredes, são grupos de recursos energéticos distribuídos com capacidade de operar como parte de uma rede maior ou isoladamente como uma ilha.

Para a Linux Foundation, o caminho para conseguir gerenciar a crescente complexidade dos sistemas de energia, para torná-los mais eficientes, confiáveis e sustentáveis, pode ser por meio do uso de software de código aberto em um amplo processo de digitalização do setor de energia. Uma das principais vantagens do código aberto é ser gratuito ou ter baixo custo para usar e distribuir, além de ser adaptável, podendo ser personalizado conforme as necessidades específicas de cada ambiente.

Um dos aspectos mais importantes da transformação digital dos microgrids é transformá-los em redes inteligentes que permitam comunicação bidirecional entre concessionárias e consumidores usando recursos de sensoriamento ao longo das linhas de transmissão. O modelo tradicional ainda amplamente usado se caracteriza por uma abordagem unidirecional e centralizada, de cima para baixo, com um pequeno número de grandes empresas que controlam a maioria da produção e da distribuição da energia. Consumidores têm oportunidades limitadas para produzir e armazenar energia, além de contarem com poucas ferramentas para controlar o consumo e reduzir o desperdício.

Fonte: The Linux Foundation

“Hoje enfrentamos um desafio duplo: mudanças climáticas e energia acessível e confiável para todos. Nesse contexto, nosso relatório descreve as oportunidades de código aberto para acelerar a proliferação de microrredes como um mecanismo de produção e consumo de energia limpa. Agora temos uma imagem mais clara”, afirma Hilary Carter, vice-presidente sênior de pesquisa e comunicação da Linux Foundation.

Microgrids impulsionados pela digitalização podem integrar fontes de energia renováveis, por exemplo, com sensores de Internet das Coisas (IoT) e sistemas de controle. Redes inteligentes também podem usar dados em tempo real para equilibrar oferta e demanda, reduzindo a necessidade de contar com usinas baseadas em combustível fóssil. 

A pesquisa da Linux Foundation oferece insigths e recomendações para os interessados que desejam se envolver com iniciativas de microrredes de código aberto. Segundo o relatório, os microgrids são uma ferramenta essencial para melhorar a resiliência energética e promover a descarbonização. No entanto, esse mercado enfrenta uma série de desafios que o ecossistema de código aberto pode ajudar a enfrentar. As principais revelações do estudo são:

  • Melhorar o acesso aos recursos dos microgrids ajuda a reduzir as barreiras de acesso à energia, à expertise e à compreensão de todas as partes interessadas.
  • Acelerar os projetos de microgrids e o tempo de chegada das soluções ao mercado (time to market) ajuda a superar obstáculos econômicos e políticos por meio do compartilhamento aberto de dados, da maior eficiência de custo e da modularidade.
  • Melhorar a interoperabilidade e a adoção de padrões ajuda a promover colaboração, consenso, transparência e compatibilidade para toda a pilha tecnológica.
  • É recomendável desenvolver modelos de negócios para microgrids via software, serviços de suporte e consultoria, treinamento e certificação, personalização e integração, parcerias colaborativas e modularidade avançada.
  • Promover a inovação na direção da resiliência energética em escala, apoiando a adoção de modelos de negócios voltados ao código aberto, ajudará a colher benefícios de segurança e redução de custos demonstrados nos setores de TI e telecomunicações.

Como o software de código aberto pode ajudar

Em um futuro não muito distante, as concessionárias não terão mais controle total sobre os sistemas de energia. Por causa da fragmentação da indústria com microgrids, nem todas as tecnologias envolvidas na produção, transmissão e distribuição de energia serão compatíveis. Por isso, os atuais métodos baseados em sistemas de código fechado terão de ser substituídos para adotar padrões de medição que garantam interoperabilidade e compatibilidade e, em última instância, neutralidade em relação aos fornecedores.

Soluções de código aberto podem possibilitar o monitoramento dos sistemas energéticos em tempo real, a fácil comunicação de dados com vários tipos de dispositivos e programas, além de desenvolvimento colaborativo de serviços e aplicativos.

Segundo a Linux Foundation, cerca de dois terços das organizações do setor energético afirmaram na pesquisa que mais da metade do software usado é de código aberto. Além disso, quase todas mostram intenção de usá-lo. Apenas uma pequena parcela dos entrevistados não conhece conceitos como OSPO (Open Source Program Office ou centro de competência de código aberto nas organizações).

Detalhes sobre empresas do setor energético

A maioria das empresas do setor energético pesquisadas pela Linux Foundation tem um plano estratégico claro para digitalização e já o implementaram. No entanto, há diferenças regionais, conforme apresentado no gráfico a seguir – 62% na Europa; 78% na América do Norte e 84 na Ásia-Pacífico.

Os entrevistados também confirmaram que a digitalização desempenha um papel fundamental na descarbonização do setor energético por meio de novos serviços, modelos de negócios e especificações de automação, assim como por conta da colaboração entre operadores e outras partes interessadas.

Por outro lado, a falta de iniciativas de digitalização nas empresas do setor energético pode ter diversas consequências, como questões relacionadas à competitividade, perda de oportunidades na área de eletrificação, e aumento de custos operacionais e assuntos regulatórios, entre outras.