Projeto de lei alemão aborda eficiência energética de data centers

computer server racks in datacenter
Sheila Zabeu -

Julho 07, 2023

A Alemanha está discutindo uma nova legislação sobre eficiência energética que pode afetar diretamente o setor local de data centers. O projeto de lei foi aprovado em 19 de abril de 2023 e está atualmente em processo parlamentar.

Em dezembro de 2020, os estados-membros da União Europeia (UE) decidiram tomar medidas para combater as mudanças climáticas e seus impactos, buscando reduzir a emissão de gases de efeito estufa até 2030. Para cumprir essa meta, a Comissão Europeia apresentou o projeto de uma nova diretriz que se baseia no aumento da eficiência energética da região, abrangendo governos federais, estaduais e municipais.

Segundo o projeto de lei alemão, por conta das altas metas de eficiência energética da UE para a Alemanha, medidas ambiciosas devem ser tomadas o quanto antes. Daí a necessidade de se propor uma nova legislação na Alemanha, mesmo antes de diretitva da Comissão Europeia entrar em vigor. A meta é reduzir o consumo final de energia em, pelo menos, 26,5% até 2030 em relação a 2008. Em termos de energia primária, a economia esperada é de 39,3% no mesmo período de comparação, um pouco superior à meta da região europeia. Além disso, o projeto de lei trata de uma redução adicional tanto no consumo de energia primária quanto final para o período entre 2040 e 2045.

Ainda que o foco principal das medidas de eficiência energética seja o setor público, a iniciativa poderá servir de modelo para outros setores da sociedade. No entanto, em seu artigo 11, o projeto estabelece que empresas com consumo intensivo de energia também serão obrigadas a adotar sistemas de gestão energética ou ambiental, como é o caso dos data centers.

No caso específico de data centers que iniciarem suas operações antes de 1º de julho de 2026 deverão:

1. A partir de 1º de julho de 2027, apresentar uma eficiência energética menor ou igual a 1,5; e

2. A partir de 1º de julho de 2030, apresentar uma eficiência energética menor ou igual a 1,3.

Data centers que iniciarem suas operações a partir de 1º de julho de 2026 deverão:

1. Atingir uma eficiência energética menor ou igual a 1,3; e

2. Ter parte de energia reutilizada de, pelo menos, 10%. Data centers que começarem a operar após 1º de julho de 2027 devem ter parte planejada de, pelo menos, 15% de energia reciclada; Data centers operando a partir de 1º de julho de 2028 devem ter uma proporção planejada de, pelo menos, 20% de energia reciclada.

Data centers que iniciarem suas operações antes de 1º de janeiro de 2024 devem ser operados de forma que o resfriamento a ar apresente:

1. Temperatura de entrada não inferior a 24 graus Celsius; e

2. A partir de 1º de janeiro de 2028, temperatura de entrada não inferior a 27 graus Celsius.

Temperaturas de entrada mais baixas só serão permitidas se forem atingidas sem o uso de sistemas de refrigeração.

No artigo 12, o projeto de lei define que os operadores de data centers serão obrigados a estabelecer um sistema de gestão energética ou ambiental até 1º de julho de 2025. Será necessário fazer medições contínuas dos principais componentes dos data centers e tomar as medidas necessárias para melhorar continuamente a eficiência energética.

Para data centers com uma carga conectada nominal não redundante de 1 megawatt e para data centers pertencentes ou operados por órgãos públicos com uma carga conectada nominal não redundante de 200 quilowatts, a partir de 1º de janeiro de 2025, haverá a obrigatoriedade de validar ou certificar o sistema de gestão energética ou ambiental. Data centers nos quais, pelo menos, 50% da energia reutilizada é absorvida para uso por meio de uma rede de aquecimento estão isentos da obrigação de estabelecer um sistema de gestão energética ou ambiental.

O projeto de lei também está preocupado com o calor residual gerado pelas empresas. Por isso, exigirá que aquelas com um consumo de energia total anual médio maior que 2,5 GWh terão de usar tecnologias mais recentes para reduzir o calor residual ao máximo e reutilizá-lo na medida do possível e razoável.

Especialistas preveem que ainda haverá alterações mais rígidas no projeto de leis associadas aos requisitos de eficiência energética para data centers.

Visão da associação de data centers

A Associação Alemã de Data Centers (GDA) vê riscos nesse projeto de lei, que pode influenciar negativamente as condições estruturais para a operação desses ambientes no país. “A Alemanha pode se tornar cada vez menos atraente como destino para esse setor. Isso prejudicaria a digitalização alemã”, afirma Anna Klaft, presidente da GDA.

O foco do debate em torno do projeto de lei é a obrigação geral de liberar calor residual com cotas percentuais que permaneceram inalteradas. Segundo a GDA, a criação de um sistema de incentivos seria mais eficaz. “Um aspecto positivo é que a localização obrigatória de novos data centers em um raio de cinco quilômetros de redes de aquecimento será cancelada sem substituição. Já a obrigação geral de liberar calor residual cria incertezas no planejamento. Grandes investimentos são necessários com urgência para expandir a infraestrutura digital de acordo com a estratégia gigabit”, explica Anna Klaft.

Segudo a executiva, em vez de regulamentar a indústria com exigências rígidas, as condições estruturais para data centers devem ser melhoradas e sistemas de incentivos para gestão climaticamente neutra devem ser criados. “A expansão da infraestrutura digital requer data centers de alto desempenho. Eles são o motor e a base da digitalização e o requisito básico para a soberania digital da Alemanha”, acrescenta a presidente da Associação Alemã de Data Centers.