Mercado de edifícios inteligentes precisa de um norte

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Grandes empreendimentos como The Edge em Amsterdã ou cube berlin ganham as manchetes facilmente como exemplos magníficos de edifícios inteligentes. No entanto, não representam grande parte das construções viáveis que também podem ter inteligência nos próximos anos.  O que isso pode estar sugerindo, segundo um estudo da IoT Analytics.com, é que edifícios inteligentes, que já contam com uma infraestrutura tecnológica subjacente, ou seja, possuem um sistema de automação predial instalado, e outros até mais avançados em termos de digitalização, que possuem um sistema de gerenciamento que digitaliza várias partes da construção, como acesso ao local e soluções de segurança, podem ser a próxima grande fronteira da digitalização. 

A pesquisa destaca que um cidadão norte-americano mediano passa 87% do tempo em edifícios, conforme a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos. No entanto, as principais tecnologias usadas em larga escala ainda não estão acompanhando em plenitude os avanços tecnológicos em outras áreas (por exemplo, smartphones, carros ou TVs). Desse modo, edifícios inteligentes ainda têm grande potencial para crescer e tornar a vida das pessoas mais eficiente, produtiva, alegre e sustentável. 

Atualmente, datacenters são o tipo de edifício mais inteligente, com uma digitalização avançada em 65% da área bruta. Hotéis (46%) e instalações educacionais (41%) completam a lista dos três edifícios mais inteligentes. No entanto, nos próximos dois anos, essa classificação deve mudar. Segundo a IoT Analytics, escritórios serão o segundo tipo de edifício mais inteligente globalmente (com 52% da área bruta com digitalização avançada) e os hotéis ocuparão o terceiro posto (51,5%); datacenters permanecerão no topo (71%). Armazéns deverão ter a maior taxa de digitalização (de 27% para 49%). E os tipos de construção menos inteligentes nos dias de hoje devem tirar o atraso (com exceção dos prédios históricos). 

Principal aplicação 

Segundo a IoT Analytics, mais da metade (52%) da área total de todos os edifícios inteligentes usa alguma forma conectada de aquecimento, ventilação e ar condicionado (HVAC, na sigla em inglês). Os sistemas HVAC de última geração permitem modificar as configurações centralmente (por exemplo, através de smartphones) ou estabelecer regras de uso predefinidas. Em alguns casos, até é usada Inteligência Artificial (IA) para aprender sobre o comportamento dos usuários. Outros dados, como ocupação das salas ou temperatura externa também, são utilizados ​​para otimizar os sistemas. Os próprios equipamentos dispõem de algoritmos para prever falhas e assim reduzir custos de manutenção e tempos de inatividade. 

Outras aplicações com altas taxas de adoção são monitoramento da qualidade do ar (48%), que está vendo um dos maiores crescimentos de demanda de todos os 26 casos analisados pelo estudo da IoT Analytics, provavelmente  ​​como resultado da pandemia de COVID-19. Outra aplicação procurada são os sistemas de alarme com sensores (47%). A pesquisa prevê que o investimento médio em um caso uso cresça 13% nos próximos dois anos. 

O que está por trás dessas e outras iniciativas de edifícios inteligentes são novas regulamentações e incentivos governamentais, segundo a IoT Analytics. Entre os entrevistados, 89% afirmaram que esses incentivos tiveram alguma influência na decisão de digitalizar edifícios. As regulamentações também tiveram influência no andamento das iniciativas – para 45% dos entrevistados, as novas normas foram um fator significativo que impulsionou a criação de edifícios inteligentes. Redução de custos, melhor satisfação dos usuários e sustentabilidade também tiveram impacto nos processos decisórios.  

E não é à toa que sustentabilidade tenha influenciado nas decisões. De acordo com um relatório de 2021 da ONU, mais de um quarto (28%) das emissões globais de CO2 relacionadas à energia são atribuídas à operação dos edifícios. Isso aponta para a necessidade de os edifícios se tornarem energeticamente mais eficientes, e nesse contexto a digitalização pode ser um elemento facilitador relevante. Para  Fraunhofer, instituto de pesquisa com sede na Alemanha, sistemas HVAC conectados combinados com persianas e janelas conectadas podem economizar até 10% da energia total usada para aquecer e resfriar edifícios. Por isso, muitos regulamentos e incentivos se concentram na sustentabilidade, tais como o Esquema de Financiamento Federal para Edifícios Eficientes da Alemanha e o Programa de Construção Verde de San Francisco, nos Estados Unidos. 

O estudo destaca que casos de uso de edifícios inteligentes com efeito direto na sustentabilidade resultam em um ROI (Return on Investment) mais alto do que outras categorias de casos de uso (93% deles mostram um ROI positivo). Esses casos de uso também devem ser adotados mais rapidamente nos próximos anos – aumento de 15% nos próximos dois anos versus um aumento médio de 13%. 

Apesar de tantas oportunidades de inteligência para edifícios, muitas vezes não é evidente claro por onde começar. Para 52% dos entrevistados pela IoT Analytics, é difícil encontrar o fornecedor certo. Para eles, a falta de conhecimento sobre quem pode ajudar é um desafio importante para conduzir iniciativas de construções inteligentes. Para os mais afortunados que “já encontraram um fornecedor adequado”, essa ajuda foi o segundo fator mais importante para que seus esforços tivessem sucesso, ficando apenas do “planejamento adequado” anterior ao início dos projetos. 

A conclusão é que fornecedores de soluções para edifícios inteligentes precisam orientar melhor o mercado e mostrar outras referências que não os projetos mais chamativos e de alto valor. É necessário apresentar exemplos de edifícios do mundo real que, dotados de recursos inteligentes, possam oferecer resultados positivos e apontar o caminho para projetos bem-sucedidos.

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