iSIM, mais um aliado para projetos IoT

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Na Internet das Coisas, o tamanho reduzido pode oferecer vantagens significativas, e o advento da tecnologia SIM integrada (iSIM) avança ainda mais, ajudando também a melhorar o desempenho e até simplificar as cadeias de suprimentos.

O SIM integrado (iSIM) pode ser considerado uma evolução do eSIM (Embedded Subscriber Identity Module), que já havia ajudado a reduzir dimensões, permitindo projetar hardware mais compacto e energeticamente mais eficiente, e também a reduzir preocupações com roubo. Baseado na especificação ieUICC, da GSMA, visa incrementar as alternativas existentes para os chips de celular.

Tanto eSIM quanto iSIM são tecnologias para autenticar usuários e dispositivos em redes móveis. Do ponto de vista do design, o eSIM é soldado diretamente no circuito, enquanto o iSIM é integrado ao SOC do dispositivo, economizando ainda mais espaço e também consumindo menos energia. Além disso, permite níveis mais elevados de miniaturização ao dispensar os slots de cartão SIM e os soquetes eSIM, o que pode abrir caminho para outras aplicações, por exemplo, no campo da robótica e da medicina ou que usam sensores em redes de longa distância e baixa potência, como NB-IoT.

Outra vantagem do iSIM está na fase de implantação, pois permite que as configurações  da operadora das redes e dos assinantes seja feita à distância (over-the-air – OTA), a exemplo do seu irmão eSIM. Isso dá aos projetos de IoT flexibilidade para mudar de operadora quando for necessário.

Observadores da indústria concordam que o mercado está aquecido. De acordo com a Counterpoint Research, espera-se que o número de dispositivos compatíveis com eSIM e iSIM enviados chegue a mais de 6 bilhões até 2025.

Entre os mais de 14 bilhões de dispositivos eSIM comercializados entre 2021 e 2030, o iSIM é o que terá o crescimento mais rápido, tornando-se a opção preferida até 2030 em todas as categorias de dispositivos conectados por celular, conforme o último relatório eSIM Devices Market Outlook, da Counterpoint. Depois de 2027, o padrão iSIM deverá assumir o formato SIM dominante, com remessas de dispositivos compatíveis chegando a 7 bilhões de unidades entre 2021 e 2030.

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Fonte: Counterpoint

No início do ano, Vodafone, Qualcomm Technologies e Thales demonstraram um smartphone funcional com iSIM. Segundo as empresas, um marco que abre caminho para a comercialização da tecnologia em uma série de novos dispositivos.

smartphone iSIM - Qualcomm
Fonte: Qualcomm

Benefícios da iSIM para IoT

O SIM integrado (iSIM) foi desenvolvido pela Arm sobre a especificação eSIM, pensando eliminar a restrição dos cartões SIM tradicionais que, apesar de oferecerem um mecanismo robusto, confiável e altamente testado para identidade segura de telefones e outros dispositivos celulares conectados, não podem ter a propriedade alterada após serem implantados, exigindo acesso por vias físicas para mudar a operadora de rede móvel (MNO) responsável pelos serviços de conexão. Pensando nos projetos IoT que usariam grandes volumes de dispositivos ou sensores conectados, fazer alterações físicas no SIM não seria nada viável.

Ao eliminar a necessidade de um SIM físico ou eSIM, a tecnologia iSIM aborda vários desafios importantes para os inovadores de IoT, especialmente em termos de miniaturização. Os iSIMs possibilitam eliminar totalmente os slots de cartão SIM e os soquetes eSIM que atualmente ocupam uma grande parte do espaço da placa de circuito em dispositivos pequenos. Isso também tem o benefício de remover etapas de fabricação na produção e reduzir os requisitos de energia do dispositivo.

A segurança não foi esquecida. Uma estrutura independente torna a tecnologia iSIM segura por design, garantindo uma identidade única menos suscetível a adulteração — tudo (um microcontrolador, um modem celular e uma identidade SIM) em um único chip.

Os setores em que cada fração de milímetro importa – como wearables, e-têxteis e rastreadores inteligentes – são os principais mercados iniciais para a tecnologia iSIM. 

Mas o que mais essa tecnologia de próxima geração pode fazer pela inovação da IoT?

  • Abre novos mercados potenciais : o iSIM reduz os requisitos de energia e remove a pegada dos SIMs, abrindo possibilidades para novos mercados além de pequenos bens de consumo e dispositivos alimentados por bateria que nem sempre podem ser conectados à rede elétrica. Setores como utilitários inteligentes, drones inteligentes e medidores inteligentes podem aproveitar a tecnologia iSIM simplesmente com base em seu consumo de energia.

  • Simplifica os processos de fabricação de dispositivos e componentes. Os iSIMs removem uma etapa do processo de fabricação e das peças até a origem, ajudando os inovadores de IoT a acelerar suas soluções para o mercado. Isso tem um enorme impacto quando se trata de fabricação em larga escala sob a questão da cadeia de suprimentos que vimos hoje. Na fabricação de veículos, por exemplo, os fabricantes geralmente precisam esperar até que todas as peças estejam disponíveis para operar uma linha de montagem. Os iSIMs removem peças a serem aguardadas no processo, ajudando os fabricantes a manter as linhas em operação com menos risco de tempo de inatividade.

  • Dirupta a cadeia de valor. Os iSIMs podem exigir um processo de fornecimento diferente dos SIMs e eSIMs tradicionais, pois não há opção de trocar de provedor de conectividade substituindo fisicamente um cartão SIM ou um chip eSIM. Como o iSIM é integrado ao módulo de conectividade, fabricantes e designers de produtos precisam identificar fornecedores de conectividade que possam oferecer um perfil inicial de inicialização inteligente para iSIMs no início do processo. Embora isso possa parecer um fardo adicional, encontrar o parceiro de conectividade certo é uma etapa necessária que economiza tempo e dinheiro na implantação.

De acordo com o estudo da Counterpoint, o primeiro grupo de aplicações iSIM para IoT deverá ser apresentado pelos principais players de chipset e módulos de IoT, como Quectel, Telit, Sequans e Sony Semi (Altair), em parceria com players de habilitação de eSIM. Outras empresas interessadas em impulsionar o segmento são Qualcomm, Thales, IDEMIA, Truphone, Redtea Mobile, Apple, Samsung e Nokia.

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