IoT (LPWA) Roaming deve crescer com fim das redes 3G

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Soluções de Internet das Coisas (IoT) não estão limitadas a pequenas regiões ou zonas de uma mesma operadora. Assim como acontece com telefones celulares, dispositivos IoT podem se comunicar via roaming com par fora da área de cobertura geográfica de sua rede doméstica, desde que a função esteja estabelecida nos termos comerciais dos contratos assinados com as operadoras.

Além das redes celulares como 2G, 3G, 4G e 5G, a função de roaming entre dispositivos IoT também pode ser implementada por redes LPWA (Low Power Wide Area), como NB-IoT e LTE-M, RFID (Radio Frequency Identification) e Wi-Fi 6.

Um estudo recente da Juniper Research aponta que o volume global de dados gerados por conexões IoT em roaming crescerá de 86 petabytes em 2022 para 1.100 petabytes em 2027; o que corresponde a transmissão de 165 milhões de horas de vídeo 4K via plataformas streaming, segundo a pesquisa. O número global de conexões IoT em roaming aumentará de 300 milhões em 2022 para 1,8 bilhão em 2027; representando um crescimento de 500%.

THE EVOLUTION OF IOT ROAMING

Essas taxas de crescimento expressivo devem ser impulsionadas pela desativação das redes 2G e 3G, o que fará das redes LPWA uma alternativa de baixo custo para roaming de dispositivos IoT frente a redes celulares, como 4G e 5G. Além disso, redes LPWA consomem menos energia, bem como cobertura interna estendida e maior capacidade de expansão.

Redes LPWA licenciadas são implementadas pelas operadoras e estabelecidas sobre redes celulares, ou seja, as operadoras de redes celulares aproveitam as estações-base e infraestrutura de backhaul existentes para fornecer recursos LPWA.  Também há redes LPWA não licenciadas, mantidas por empresas privadas para competir operadoras de redes celulares. Para usar soluções LPWA de provedores de espectro não licenciados, é preciso investir em infraestrutura, mas é necessário pagar pelo volume de dados transmitidos.

Usando LPWA não licenciado, também é possível adicionar vários dispositivos sem custo adicional, sem esquecer que os níveis de qualidade pode caiar à medida que o número de dispositivos por estação-base crescer. LoRAWAN (Long-Range Wide Area Network) é um exemplo de rede LPWA não licenciada.

Segundo a Juniper Research, apenas 2% do total de conexões de roaming IoT usarão redes 5G até 2027. Somente casos de uso dependentes de baixa latência e alta velocidade, como veículos autônomos e fábricas inteligentes, justificarão os investimentos em conexões 5G.

Já no médio e longo prazos, a implementação dos padrões 5G standlone e NB-IoT (Protocolo Narrowband IoT para conexão sem fio de redes IoT) pode permitir que as operadoras se diferenciem em termos de ofertas de conectividade, ofereçam propostas de valor exclusivas para determinados clientes. Além disso, as redes 5G SA podem ajudar a acelerar as implantações de IoT em roaming.

“A evolução da conectividade de redes privadas ainda é desconhecida. Isso porque, embora a discussão do setor tenha se centrado principalmente na implantação de redes privadas 5G, os fornecedores ainda relatam haver demanda por redes privadas habilitadas para 4G”, destaca o relatório. A Juniper Research observa que isso se deve principalmente à economia em torno dos pontos de acesso, dispositivos e infraestrutura que tornam o padrão 4G aplicável aos casos de uso de IoT.

Existem dois critérios importantes que podem ajudar na escolha do tipo de conectividade para cada soluções IoT, segundo a pesquisa: onde os dispositivos ou sensores estarão localizados e quais serão as condições que enfrentarão. “Ainda que conexões LPWA possam abordar esses dois parâmetros e também reduzir os custos associados, redes 5G tratam de um terceiro fator, o controle”, destaca o estudo.

Barreira a superar

Roaming permanente é uma das principais barreiras que projetos de IoT com ampla cobertura geográfica enfrentam para atingir seu potencial máximo, segundo relatório da Kaleido Intelligence. As implicações que essas implantações IoT devem abordar são:

  • Roaming permanente está se tornando uma demanda cada vez mais comum, visto que os modelos comerciais de inbound roaming não são tão atraentes para as operadoras de rede móvel (MNOs).

  • 80% dos acordos de roaming entre operadoras não oferecem as funções PSM e eDRX, essenciais para o gerenciamento da vida útil das baterias de dispositivos IoT.

  • Disputas comerciais entre MNOs sobre acordos de roaming podem resultar na rescisão de acordos de conectividade entre as partes, levando à perda de conectividade para dispositivos IoT.

  • Países como Austrália, Estados Unidos, China, Canadá, Índia, Turquia e Cingapura introduziram restrições e, em alguns casos, proibições definitivas de roaming permanente, o que pode afetar as implantações de IoT em escala.

  • Dados em roaming podem sofrer com baixos níveis de desempenho devido às arquiteturas de roteamento de dados, causando problemas de latência e velocidade das redes, algo inaceitável para a maioria das aplicações de IoT.

“Atitudes negativas em relação ao roaming permanente – desde a percepção de que o volume de conexões pode gerar problemas de capacidade e desempenho até reguladores que se opõem ao trânsito de dados transfronteiriço – impedem as operadoras de oferecer a conectividade necessária para projetos de grande escala. Soluções mais flexíveis devem ser viáveis para reduzir os riscos de projetos globais de IoT e a incerteza na fase de pré-implantação, garantindo que os dispositivos possam se conectar ao melhor provedor, onde quer que estejam”, alerta Nick Earle, CEO da Eseye, empresa que encomendou a pesquisa.

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