Intel investe em resfriamento por imersão para datacenters

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Resfriamento líquido parecer ser uma das tendências que veremos no universo dos datacenters em 2022. O conceito já circulava em 2019 e até anteriormente, como uma tecnologia que poderia ser adotada em larga escala para atender às crescentes demandas de cargas de trabalho de alta densidade das iniciativas de Inteligência Artificial (IA). No entanto, não foi naquele momento que resfriamento líquido se disseminou.

De volta ao ano de 2022 e já se observam avanços significativos nesse campo com iniciativas de gigantes da tecnologia. Em janeiro, a Intel anunciou uma parceira com a GRC (Green Revolution Cooling), startup sediada nos Estados Unidos e especializada em refrigeração por imersão para servidores, para oferecer ao setor de datacenters meios mais eficientes para reduzir o impacto ambiental causado por infraestruturas digitais. Por meio dessa cooperação plurianual, serão desenvolvidas e implementadas técnicas avançadas de resfriamento por imersão para futuros datacenters.

Equipes de engenharia da Intel e da GRC vão avaliar a segurança e a confiabilidade de tecnologias de resfriamento por imersão e também buscar otimizar o desempenho de sistemas de racks resfriados por essa técnica com processadores Intel Xeon Scalable. Além disso, vão trabalhar juntas para educar o mercado sobre os benefícios do resfriamento por imersão por meio de webinars, ebooks, podcasts e white papers.

A colaboração também pretende garantir ao mercado que os fluidos usados por está tecnologia cumpram os padrões de segurança, compatibilidade de materiais e desempenho térmico que os datacenters devem seguir.

Essa não é a primeira parceria da Intel nesse campo, Em agosto de 2021, foi anunciado um acordo semelhante com a Submer, outra startup na área de refrigeração por imersão, esta com sede na Europa. A colaboração pretende desenvolver a tecnologia Precision Immersion Cooling Fluid Cloud para uso em datacenters de nova geração. A ideia é usar placas de servidor Intel Xeon otimizadas para imersão e a técnica de resfriamento de precisão da Submer para demonstrar a reutilização do calor residual de alta qualidade gerado nos datacenters. Outro objetivo é ajudar a criar padrões para acelerar a adoção da tecnologia de resfriamento por imersão.

Uma segunda gigante que está investindo nessa área é a Microsoft. A empresa anunciou em abril de 2021 que está usando servidores refrigerados por imersão em um datacenter à margem do rio Columbia, nos Estados Unidos. Ao contrário da água, o fluido dentro do tanque é inofensivo aos equipamentos eletrônicos, e a fervura de baixa temperatura permite que os servidores operem continuamente com potência máxima sem risco de falhas devido ao superaquecimento.

Cada vez mais, os operadores de datacenters buscam maneiras de tornar seus ambientes mais sustentáveis de forma a superar os atuais desafios de escassez de recursos naturais, como água, e fontes de energia mais eficientes e ecologicamente responsáveis. O calor gerado pelos datacenters era considerado até então um peso morto. Precisava ser removido e descartado por meio de processos que impactam o ambiente e comprometem os custos operacionais.

Para mudar esse cenário, o conceito Precision Immersion Cooling Fluid Cloud, por exemplo, usa resfriamento líquido para alcançar um nível mais alto de eficiência e densidade ao garantir que calor de alta qualidade possa ser facilmente reutilizado, monetizado ou até aproveitado para gerar eletricidade. Dessa foram, essa abordagem pode ajudar inclusive a reduzir o custo total das operações de datacenters.

Sistemas de resfriamento para datacenters

Sistemas de resfriamento podem variar em termos de complexidade e confiabilidade e também gerar efeitos negativos ao hardware dos datacenters. Além disso, podem diferir em termos de eficiência – esquemas menos eficientes podem consumir surpreendentes 40% da energia total dos datacenters.

Diante dos custos crescentes de energia, preocupações ecológicas e novas categorias de refrigerantes de alta tecnologia, o resfriamento líquido tem ganhado espaço nos datacenters com a promessa de oferecer os seguintes benefícios, segunda a GRC:

1. Sistemas desse tipo são mais oferecem maior eficiência que resulta não apenas em custos mais baixos, mas também em menos ruídos e poluição. Em poucas palavras. líquido é mais eficiente que ar para refrigerar datacenters – resfriamento por imersão em líquido é cerca de 95% mais eficiente do que o tradicional resfriamento a ar.

2. Ainda que resfriamento líquido funcione bem em qualquer clima, pode garantir uma economia adicional em termos de redução de consumo de energia em regiões mais quentes, onde os sistemas a ar são bastante ineficientes devido à atmosfera quente local.

3. O resfriamento líquido é muito menos caro, o que significa um retorno de investimento (ROI) mais rápido e custos de propriedade mais baixos.

4. Sistemas tradicionais refrigerados a ar costumam usar muitos ventiladores e equipamentos de ar condicionado que acabam ocupando muito espaço e fazendo muito barulho. Já os sistemas a líquido não precisam de muito espaço – e economia de espaço se traduz em economia de recursos financeiros -, podendo começar em pequenas áreas e ir adicionando mais módulos conforme necessário e, de sobra, tornam o  local de trabalho mais silencioso, sem os ruídos dos ventiladores.

5. Por consumir menos espaço, o processo de construção dos datacenters que usam resfriamento líquido é pouco diferente, mas bem menos custosa – construir uma instalação com imersão em líquido pode custar 60% menos em comparação com os sistemas tradicionais de resfriamento a ar.

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