Inflação pode impulsionar a sustentabilidade dos data centers

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Em resposta a um dos maiores desafios enfrentados recentemente pelos Estados Unidos, o Congresso daquele país aprovou a Lei para Redução da Inflação que visa combatê-la, investindo na produção de energia limpa e na redução das emissões de carbono em cerca de 40% até 2030. A nova legislação também permitirá a negociação dos preços dos medicamentos prescritos e estender o Affordable Care Act de assistência médica por três anos, até 2025.

No caso específico da questão energética, a legislação prevê um investimento histórico de US$ 369 bilhões em ações climáticas na próxima década por meio da adoção de sistemas de energia limpa que vão contribuir para reduzir custos, gerar milhões de empregos e diminuirr a poluição.

Contando com incentivos fiscais e descontos, famílias de baixa ou média renda poderão adquirir eletrodomésticos eletricamente eficientes, instalar esquemas de energia solar em seus telhados e comprar novos veículos elétricos.

Dados do Senado dos Estados Unidos
Fonte: Senado

Em uma caso mais específico ainda, o dos data centers, essa lei recém-promulgada pode estimular a adoção de projetos de sustentabilidade em três frentes principais:

  • Os data centers poderão captar fundos e investir nos equipamentos necessários para reduzir ou sequestrar emissões de carbono dos data centers.
  • Poderão contar com custos de energia mais baixos já que mais empresas vão investir em projetos de energia renovável.
  • Terão mais tempo para planejar suas ações de energia renovável enquanto grandes companhias, como Microsoft e Facebook, já testam conceitos como data centers autoalimentados. Isso deverá garantir mais flexibilidade para dimensionar as operações dos data centers.

Segundo Kate Brandt, diretora de sustentabilidade do Google, as disposições climáticas e energéticas da Lei para Redução da Inflação de 2022 representam os investimentos mais abrangentes para combater as mudanças climáticas nos Estados Unidos. E esses investimentos oferecem a oportunidade de fazer renascer iniciativas de energia limpa e segurança energética.

A executiva destaca que o Google definiu como meta zerar as emissões líquidas em todas as suas operações e cadeia de valor até 2030. Essa meta também inclui a possibilidade de operar com energia livre de carbono no esquema 24×7 em todos os data centers e campi da empresa. O Google é membro-fundador da 24/7 Carbon-Free Energy Compact, coalizão de mais de 70 empresas que reúne princípios para acelerar a descarbonização dos sistemas elétricos do mundo e garantir acesso à energia limpa e acessível para todos.

Na visão do Gartner, sustentabilidade está se tornando uma das questões mais importantes para os data centers, com a tributação penalizando as emissões de gases de efeito estufa em alguns países e com potencial para ser implantada em outros nos próximos anos.  O instituto alerta que, antes de tomar qualquer medida nessa área, é preciso saber calcular o volume das emissões pelas quais os data centers são responsáveis.

As iniciativas de sustentabilidade estão começando com os principais provedores de nuvem, que são alguns dos maiores operadores de data centers do mundo e têm um papel importante nas iniciativa de redução das emissões de carbono relacionadas à TI. Segundo o Gartner, os 10 maiores provedores de nuvem (por receita) respondem por 70% de todos os gastos de TI em infraestrutura de nuvem, plataforma e serviços.

“Os hiperescaladores estão investindo agressivamente em operações sustentáveis ​​na nuvem, buscando zerar as emissões líquidas dentro de uma década ou antes. O Gartner espera ver uma maior disponibilidade de ferramentas para ajudar a calcular e reduzir as emissões de carbono dos serviços de nuvem, semelhantes às que ajudam a otimizar os gastos com nuvem atualmente”, comenta Ed Anderson, vice-presidente de pesquisa do Gartner.

Alguns resultados da nova lei na área de energia

Alguns acordos na área energética já foram anunciados desde que o presidente norte-americano Joe Biden assinou a nova Lei para Redução da Inflação:

  • A Tesla mudou os planos de fabricar baterias na Alemanha, pois os novos incentivos tornam mais interessante fabricar células de bateria nos Estados Unidos.
  • Honda e LG Energy formam joint-venture para produzir baterias de íons de lítio nos Estados Unidos.

A norte-americana First Solar vai investir US$ 1,2 bilhão para aumentar a produção doméstica de painéis solares fotovoltaicos.

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