Fujitsu testa robô e 5G para monitorar data center

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A Fujitsu anunciou uma série de testes em campo em seu data center em Yokohama, cujo objetivo é realizar a transformação digital do ambiente para automatizar processos e elevar a resiliência operacional, utilizando redes privadas 5G para inspecionar equipamentos. Os testes serão realizados entre 1º de dezembro de 2022 e 17 de março de 2023 e foram selecionados pelo Ministério de Assuntos Internos e Comunicações do Japão como uma de suas “demonstrações dos desenvolvimentos do 5G como solução de desafios em 2022”.

A iniciativa envolverá o uso de um robô equipado com uma câmera 4K para capturar dados de vídeo dos equipamentos no data center, inclusive servidores. Esses dados serão transmitidos localmente por redes privadas 5G, e um sistema vai analisar as condições locais usando Inteligência Artificial para detectar anormalidades em estágio inicial. A Fujitsu pretende criar um sistema para monitorar as condições locais e o trabalho de recuperação mesmo remotamente em caso de desastre ou emergência, tirando máximo proveito das capacidades de transmissão em alta velocidade das redes privadas 5G.

A visão do governo japonês em realação ao estabelecmento de uma nação digital” exige instalações regionais de data centers para mitigar os riscos impostos por desastres naturais e outras vulnerabilidades resultantes da centralização dos data centers.

Patrol monitoring of equipment by a robot
Remote assistance for recovery work in the event of a disaster
Fonte: Fujitsu

Os governamentes do Japão preveem que a importância de data centers regionais deva crescer rapidamente no futuro. E, nesse contexto, para garantir a estabilidade das operações ​​dos data centers, é imperativo garantir inspeção e manutenção de alta qualidade e rápida recuperação em caso de desastre ou outra emergência. No entanto, a diminuição da população ativa e as dificuldades em contar com talentos continuam sendo um desafio em muitas partes do Japão, especialmente nas áreas rurais. Assim, manter e melhorar a qualidade da inspeção com um número limitado de funcionários e, ao mesmo tempo, reduzir a carga de trabalho é uma questão premente para os operadores de data centers.

Buscando apresentar uma solução para esse impasse, a Fujitsu vai construir um ambiente privado 5G em seu data center na cidade de Yokohama, na província de Kanagawa, e verificar a eficácia de robôs autônomos para inspecionar equipamentos e instalações, fazendo a deteção precoce e fornecendo suporte remoto no caso de falhas.

A Fujitsu pretende utilizar o conhecimento adquirido com esses testes para implementar sistemas semelhantes em seus próprios datacenters e também como solução para operadores de outros datacenters.

Data centers mais robotizados e mais eficientes

Até 2025, metade dos data centers com ambientes em nuvem vai implantar robôs avançados com recursos de Inteligência Artificial e Aprendizado de Máquina (ML), resultando em eficiência operacional 30% maior, de acordo com o Gartner.

“A lacuna entre o número crescente de servidores e volume de armazenamento em data centers e trabalho para gerenciá-los está aumentando. É significativo o risco de não fazer nada para resolver essas discrepâncias”, afirma Sid Nag, vice-presidente de pesquisa do Gartner. Segundo o executivo, as operações nos data centers só vão aumentar em complexidade à medida que mais organizações moverem suas mais diversas cargas de trabalho para a nuvem e que a nuvem se tornar a plataforma para combinar mais tecnologias, como edge computing e 5G.

É importante notar que grande parte do trabalho realizado nos data centers é tedioso, complexo e repetitivo. Algumas dessas tarefas são planejamento de capacidade, dimensionamento correto das máquinas virtuais e contêineres e garantia do uso eficiente de recursos para evitar desperdício. Essas são áreas em que robôs podem ser destacar. “Data centers são um ambiente ideal para associar robôs e IA para garantir segurança, precisão e eficiência, como muito menos intervenção humana”, explica Nag.

As quatro áreas que o Gartner aponta como as mais impactantes para automatizar data centers nos próximos cinco anos são:

  • Atualização e manutenção de servidores: A tarefa de descomissionamento e destruição dos servidores pode ser realizada com mais rapidez e eficiência por robôs industriais do que por humanos. Isso é especialmente verdadeiro para empresas que realizam atualizações em massa com frequência, como provedores de serviços de nuvem.

  • Monitoramento: Sondas em robôs fornecem dados de temperatura dos racks com muito mais granularidade sem a necessidade de instalar nenhum hardware mais invasivo. Robôs usados ​​para monitoramento remoto também podem coletar outros dados, como sons e imagens, para detectar eventuais anomalias.

  • Segurança dos data centers: Manter data centers digital e fisicamente seguros é uma das prioridades de todos os operadors. Robôs são capazes de fornecer uma camada de segurança física com diferentes recursos, como checagem de temperatura humana ou reconhecimento de placas de veículos em estacionamentos.

  • AI/ML em operações na nuvem: Em conjunto com robôs, tecnologias de AI e ML permitem monitoramento e gerenciamento de processos de TI nos data centers. Assim, engenheiros de confiabilidade do site, por exemplo, podem interagir e se comunicar com a plataforma por meio de linguagem natural. Além disso, essas plataformas são capazes de aprender com situações passadas para elevar a eficiência no futuro.

“Robôs já estão sendo usados em setores como automotivo e manufatura, mas oportunidades nos data centers têm diso negligenciadas. Líderes de TI podem impulsionar a automação inteligente das operações e processos dos data centers com ambientes em nuvem para criar diferenciais importantes, como maior tempo de atividade e cumprimento de SLAs”, completa Nag.

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