Fiocruz inaugura datacenter para processar dados de saúde 

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Segurança, velocidade e estabilidade são as principais preocupações no trabalho de análise envolvendo grandes volumes de dados. Por conta disso, o Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia), que desenvolve um dos maiores estudos populacionais do mundo a partir de informações de mais de 130 milhões de brasileiros, inaugurou no início de junho um datacenter para processar dados administrativos e saúde do país.

A estrutura está localizada dentro em um container montado anexo ao Edifício Tecnocentro – onde o funciona Cidacs. O datacenter ampliará a eficiência do processamento de grandes bases de dados sociais e de saúde. “O datacenter aumentará nossa capacidade de absorver novos projetos de pesquisa e dará mais agilidade aos trabalhos já em curso”, afirma Mauricio Barreto, coordenador do Cidacs. Atualmente, o centro desenvolve dezenas de projetos científicos dedicados a investigar o impacto de políticas sociais e de saúde na população, contando com cooperação e parcerias nacionais e internacionais.

No campo da pesquisa científica, o Datacenter Container possibilita um maior armazenamento e integração de dados sociais e de saúde que permitem à ciência obter informações sobre determinantes sociais da saúde, aspectos epidemiológicos relacionados a diversas doenças, avaliações de políticas públicas. Dessa forma, o Cidac despertou o interesse de órgãos nacionais e internacionais interessados em entender as dinâmicas de determinadas doenças, baseada em contextos demográficos, sociais, econômicos, entre outros.

Para a vice-coordenadora do Cidacs/Fiocruz Bahia, Maria Yury Ichihara, entre outros ganhos que o novo datacenter proporcionará estão relacionados à pesquisa científica brasileira sobre desigualdades sociais e em saúde no país. “Poderemos vincular novas bases de dados de programas sociais, como Criança Feliz, Censo Escolar ou da Relação Anual de Informações Sociais, e assim aprofundar a análise de determinantes sociais e impactos de políticas em eventos de saúde em extratos populacionais específicos”, destaca ela. 

O datacenter contém em sua estrutura sistemas computacionais que reúnem a Sala Segura do Cidacs/Fiocruz Bahia, que abriga dados individualizados que precisam estar protegidos, o ambiente de análise e a área administrativa, bem como recursos de telecomunicações e gerador de energia elétrica. “Já estão instalados dois clusters computacionais que serão ampliados, e está previsto um outro cluster que será instalado até o final do ano de 2022”, explica Roberto Carreiro, responsável pela plataforma de dados do Cidacs.

Segundo Carreiro, esses recursos computacionais vão proporcionar aos projetos do Cidacs um total aproximado de 2.600 hilos de processamento em CPU (vCPU) e 240.000 em GPU (Cuda), capacidade de memória de 24 terabytes e 2,5 petabytes de armazenamento.

O novo datacenter do Cidacs/Fiocruz Bahia é parte das ações de um projeto financiado pela Fundação Bill e Melinda Gates. O projeto possui um braço de infraestrutura, no qual o datacenter está inserido, e outro de pesquisa relacionada a avaliação do serviço de atenção primária na saúde materno-infantil.

Inaugurado em dezembro de 2016, o Cidacs/Fiocruz Bahia surgiu com uma proposta inovadora de realizar estudos e pesquisas a partir de uma plataforma que hospedasse grandes volumes de dados individualizados. O objetivo da iniciativa é permitir uma produção científica ágil, robusta e capaz de alcançar evidências científicas em proporções antes não alcançadas e com custos baixos. O centro usa dados administrativos de vários sistemas de informação sociais e de saúde do governo brasileiro e realiza uma série de procedimentos, como limpeza, padronização e harmonização, para adequá-los às pesquisas.

Um dos principais produtos é a coorte com dados administrativos, que reúne dados de mais de 130 milhões de indivíduos pertencentes a famílias com baixa renda e são elegíveis a programas sociais do governo federal. Pesquisas sobre hanseníase, zika, dengue, Covid-19, além de investigações sobre saúde mental exploram a coorte para uma análise mais eficaz sobre políticas sociais e de saúde ao longo do tempo.

Nos últimos anos, o Cidacs/Fiocruz Bahia incrementou seus recursos humanos em 180%, saindo de um grupo de 60 pessoas em 2017 para 170 em 2021. Atualmente, possui 28 projetos ativos e 22 subprojetos (alguns com financiamentos de agências internacionais). Parceiros e colaboradores estão em diversas partes do Brasil e no mundo, como Reino Unido, Estados Unidos, Áustria, Chile, Equador e Argentina. Mais de 70 artigos científicos revisados por pares já foram publicados por pesquisadores do Cidacs.

Já a Fundação Oswaldo Cruz teve origem em 25 de maio de 1900 com a criação do Instituto Soroterápico Federal na região norte do Rio de Janeiro. Foi criada para produzir soros e vacinas contra a peste bubônica, mas desde então evolui de forma e hoje é uma das principais instituições de da saúde pública do Brasil.

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