Datacenter da Microsoft vai usar microgrid sustentável

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A Microsoft vai adotar um sistema de microgrids em seu novo datacenter localizado em San Jose, na Califórnia (EUA). Segundo a Enchanted Rock, provedora de serviços de resilência energética contratada pela Microsoft para esse projeto, o datacenters será alimentado totalmente por gás natural renovável e usará o microgrid como fonte de energia de retaguarda para as operações.

Segundo Brian Janous, gerente geral da área de energia e sustentabilidade de datacenters da Microsoft, com a meta de se tornar negativas as emissões de carbono até 2030, esse projeto permitirá à empresa para dar um passo na direção de eliminar a dependência do diesel e, ao mesmo tempo, incrementar a resiliência do datacenter.

Até 2050, a Microsoft também pretende remover do ambiente todo o carbono que emitiu diretamente ou por consumo de energia elétrica desde sua fundação em 1975.

Fonte: Microsoft

A Enchanted Rock espera que esse projeto supere as atuais exigências de emissões do California Air Resources Board para geração distribuída, com emissões locais de 80% a 96% abaixo dos padrões de diesel Tier 4. “O mundo digital de hoje depende da manutenção da continuidade operações de datacenters, mas essa continuidade não precisa prejudicar as metas de redução de emissões de carbono das empresas nem de qualidade do ar local. A decisão da Microsoft de buscar microgrids renováveis é um outro marco em um setor que busca se afastar dos métodos convencionais e menos amigáveis ​​ao ambiente. Esperamos que esse projeto demonstre que geradores de backup em larga escala, confiáveis e econômicos, com zero emissão de carbono, podem se tornar o novo padrão”, afirma Thomas McAndrew, CEO da Enchanted Rock.

A energia para o microgrid será fornecida por gás natural renovável com zero emissão de carbono, injetado a montante no gasoduto para compensar o uso de gás fóssil. As fontes da Enchanted Rock para esse gás são capturadas de instalações que emitem metano, como rejeitos de alimentos e operações agrícolas, parte da economia circular que é neutra ou negativa em termos de emissão.

Esse novo datacenter da Microsoft está sendo construído em um terreno adquirido em 2017 e fará parte de instalações globais da plataforma Azure. O microgrid deve começar a operar em 2024 e incluirá 224 geradores a gás natural, cada um com capacidade de 0,45 MW.

Mas o que são microgrids?

Eles já estão entre nós há décadas, mas têm-se tornado uma tecnologia importante para datacenters cada vez mais cobrados por eficiência energética, confiabilidade, sustentabilidade e redução de custos. Também podem ser usados por qualquer outro tipo de operação que precise contar com essas características. Em poucas palavras, microgrids são agrupamentos de recursos energéticos em espaço limitados, cujo objetivo é manter o fluxo de energia para usuários próximos a rede principal falhar. Também podem ajudar a gerenciar custos e reduzir emissões de carbono.

Existem dois tipos básicos de microgrids, os conectados às redes de energia e os remotos. Os modelos conectados são mais comuns em lugares com uma rede central bem estabelecida. Microgrids também podem vender excedente de energia quando os preços estiverem atraentes ou quando a demanda estiver sob pressão.

A maioria dos microgrids é estacionária, mas existem modelos que podem ser transferidos movidos para áreas em necessidade de energia. Em relação às fontes energéticas, existem microgrids que usam combustível tradicional ou renovável, de células de combustível ou a gás natural.

Há microgrids que podem crescer de acordo com a demanda, agregando módulos. Outros são chamados “in-a-box” porque são parcialmente montados na fábrica visando a instalação fácil no local de uso. Já os nanogrids são modelos reduzidos que podem servir um único edifício, por exemplo.

Em termos de custo, modelos do tipo “energia como serviço” não demandam investimento inicial ou apenas uma pequena quantia, e se paga apenas uma taxa mensal. O objetivo dos prestadores desse serviço é manter a cobrança mensal abaixo do que se pagaria à concessionária local de energia. Também há a opção de leasing.

Para Nancy Novak, da Infrastructure Masons, os microgrids ganharão  mais importância ao longo dos próximos anos, e ela não se surpreenderia se começasse a ver alguns dos grandes players de negócios atuando “quase-utilities”, com suas fontes próprias de energia e vendendo o excedente para comunidades vizinhas.

No caso específico da América Latina, o mercado de construção de datacenters é subdesenvolvido em comparação com os principais centros, como América do Norte e Europa. No entanto, espera-se que cresça rapidamente, estimulado pela digitalização, iniciativas do governo e maior adoção de soluções análise de Big Data e nuvem. A taxa composta de crescimento anual desse setor de 7% no período 2022-2027, de acordo com o último relatório da Arizton, e também deve vir acompanhada do aumento da adoção dos microgrids.

No ritmo do crescimento dos microgrids para datacenters, vêm os sistemas de controle dessas arquiteturas que podem ser distribuídas e complexas. Controladores de microgrids costumar ser uma combinação de software e hardware voltada para o gerenciamento eficiente, por exemplo, da geração de energia, uso de fontes específicas, corrente de entrada/saída e armazenamento. O mercado global de sistemas de controle de microgrids foi estimado em US$ 2,7 bilhões em 2022 e deverá atingir US$ 4,5 bilhões até 2026, crescendo a um taxa composta anual de 12,1%, de acordo com números da StrategyR.

O documento “The State of the Grid: Improving Energy Solutions for Evolving Digital Infrastructure Power Needs” da Enchanted Rock ajuda a entender como os microgrids podem ser uma fonte de energia alternativa, resiliente e neutra em carbono para atuais ecossistemas tecnológicos.

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