Conectividade by design, o futuro da IoT 

Connected by Design
Sheila Zabeu -

Julho 04, 2023

A crescente complexidade da pilha tecnológica da Internet das Coisas (IoT) precisa de uma nova abordagem “Connected by Design” para colocar a otimização da conectividade no centro do desenvolvimento das soluções. O alerta foi feito em um artigo integrante da série “Transition Topic Position Papers” publicada pela Transforma Insights e patrocinada pela Eseye.

O relatório examina a transição que está ocorrendo nas implementações de soluções de IoT, que abandona abordagens baseadas em tecnologias desenvolvidas sem considerar as características da IoT e migra para uma abordagem “conectada por design”, refletindo os atributos exclusivos do caso de uso de IoT específico e a complexidade da combinação dos componentes envolvidos, principalmente a conectividade.

Connected-by-Design: Optimising Device-to- Cloud Connectivity
Fonte: Transforma Insights

Cada caso de uso de IoT tem características únicas de implantação, sejam elas relacionadas a acesso a fontes de energia, largura de banda ou latência, volume de dados, frequência de comunicação, resiliência, fator de forma ou custo, entre muitos outras. Além disso, envolve uma pilha tecnológica complexa, com sensores, sistemas operacionais, recursos de rede, gerenciamento de dados, integração com processos de negócios, segurança de ponta a ponta. E tudo isso precisa ser gerenciado em todos os dispositivos, da borda à nuvem.

Dadas também as restrições específicas de cada caso de uso de IoT, é fundamental que os elementos da pilha sejam otimizados de acordo com as demandas da aplicação. No entanto, o relatório destaca que não basta simplesmente usar componentes otimizados individualmente, mas sim garantir que sejam otimizados conjuntamente.

Considerando essa natureza distribuída da IoT, o estudo aponta que conectividade é o ponto central e o elemento mais crítico nessa otimização cruzada. Todas as outras dependências são secundárias em relação à conectividade. Por isso, é recomendável que os desenvolvedores adotem uma abordagem “Connected by Design” para identificar a melhor forma de criar uma aplicação distribuída com recursos e funcionalidades apropriados.

Segundo a Eseye, a maneira ideal de construir uma solução de IoT usando os princípios “Connected by Design” é permear todo o processo de desenvolvimento com considerações relacionadas à conectividade, não apenas ao final.

“Muitos estão familiarizados com o conceito ‘Secure by Design’, segundo o qual considerações associadas à segurança influenciam diretamente todo o processo de design dos produtos. Isso garante uma estrutura muito melhor do que a que resultaria de um processo que tenta sobrepor a segurança ao final do processo de desenvolvimento. O mesmo se aplica à conectividade no contexto da IoT. É fundamental ter a conectividade atuando como uma cola que une os vários elementos da pilha, mas há muitas armadilhas em potencial. Isso significa que a conectividade não pode ser simplesmente aparafusada à solução após ter sido desenvolvida e/ou implantada. Deve permear o processo de design. Daí o termo ‘Connected by Design’”, explica Larry Soch, vice-presidente sênior de estratégia e produto da Eseye.

O executivo acrescenta que, embora incorporar inteligência de conectividade antecipadamente contribua para a flexibilidade e a resiliência e a ajude a garantir a sobrevivência das soluções IoT no futuro, a conectividade por design usa idealmente uma abordagem holística na qual todos os componentes da solução são otimizados de forma cruzada.

Por exemplo, o design e o gerenciamento inadequados de um dispositivo IoT podem ter um sério impacto na maneira como funciona e, consequentemente, no consumo de energia necessário. Compreender os requisitos de conectividade e como afetam a eficiência energética é fundamental. Pensando em um cenário prático para ilustrar essa consideração, pense em como seria importante selecionar opções de conectividade de baixa potência, como NB-IoT e LTE-M, para maximizar a vida útil da bateria de dispositivos por 10 a 15 anos em uma instalação de difícil acesso.

O mesmo raciocínio se aplica à cobertura de conectividade das soluções de IoT. Quanto mais perto o design se aproximar de 100% de conectividade, melhor. A solução deve buscar ter acesso à melhor rede disponível, capaz de prestar serviços de altíssima qualidade. Além disso, se o projeto de IoT pretender se expandir para várias regiões geográficas, é preciso pensar em acordos de roaming e seus respectivos limites e prazos. Se essas considerações não forem feitas durante a fase de projeto, corre-se o risco de ter cobranças adicionais ou mesmo dispositivos bloqueados ou desconectados das redes ao longo de sua operação. Em alguns países, o roaming permanente é proibido. Ainda que, em algumas localidades ao redor do mundo, essa classe de roaming seja permitida, não se pode esquecer que normas regulatórias estão sempre sujeitas a alterações. Além disso, mesmo que não seja oficialmente proibido pelos governos, o roaming permanente pode ser bloqueado pelas operadoras móveis locais de uma hora para outra.

De acordo com um relatório recente da Exactitude Consultancy, o mercado de conectividade IoT deve apresentar uma taxa composta de crescimento anual de 21% entre 2023 e 2029, alcançando o valor de US$ 25,1 bilhões ao final do período.