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Cidades inteligentes devem priorizar cibersegurança

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Cibersegurança ainda não é uma prioridade entre planos de cidades inteligentes ao redor do mundo. Esse é um dos resultados mais preocupantes da quarta edição do estudo da The Economist Intelligence Unit (EIU), que classifica 60 cidades em 76 indicadores organizados em cinco pilares da segurança nos centros urbanos: digital, além de pessoal, saúde, infraestrutura e – uma novidade em 2021 – ambiental.

De 59 cidades com planos de cidades inteligentes, apenas 15 abrangem detalhes da segurança de redes e dados. O fato não surpreende Gregory Falco, professor assistente de engenharia civil e de sistemas da Universidade Johns Hopkins e um dos colaboradores do estudo. “Em geral, a segurança digital das cidades é terrível. Segundo ele,  é preciso repensar a cibersegurança em vários níveis –  as cidades devem ver esse campo como um investimento ou pelo menos uma apólice de seguro fundamental, e não como custos improdutivos. “É preciso compreender a necessidade de haver uma abordagem tecnológica envolvendo toda a cidade, e não em silos departamentais”, destaca.

Para Lawrence Susskind, professor de planejamento urbano e ambiental do MIT e outro colaborador da pesquisa, embora algumas cidades estejam fazendo muito, “o compromisso com a cibersegurança ainda é mínimo de modo geral”. E isso precisa mudar. Prrincipalmente porque o desejo de ser uma cidade inteligente é praticamente unânime. Em 59 das 60 cidades avaliadas, o estudo encontrou evidências de planos de cidade inteligente ou da intenção de investir na transformação digital nos próximos cinco anos. Caracas foi a única exceção.

O professor Susskind aponta Seul como uma das cidades inteligentes mais avançadas do mundo. Um grande volume de dados sobre o centro urbano, capturado por  câmeras e sensores IoT, é compartilhado com o público e tem a intenção de melhorar a qualidade de vida dos cidadãos. Por exemplo, bilhões de chamadas noturnas para empresas de táxi foram analisados para planejar uma rota de serviço de ônibus fora do horário comercial. Relatórios de crimes são avaliados em tempo real por sistemas de inteligência artificial (IA) para detectar tendências de crimes. Análise semelhante é feita com relatórios de acidentes de trânsito envolvendo idosos para criar zonas de proteção.

Os pesquisadores ressaltam que, ainda que o uso das tecnologias digitais pelas administrações das cidades esteja crescendo, os governos, muitas vezes, não se preocupam em proteger suas próprias iniciativas tecnológicas na mesma velocidade. “Pior ainda, especialmente nas cidades dos Estados Unidos, com pontuações elevadas no pilar da segurança digital, não há nenhum profissional sênior responsável pela segurança cibernética”, comenta Susskind. Segundo ele, cada departamento tem seu próprio orçamento de TI, mas os sistemas estão conectados, então como garantir a segurança de modo abrangente? Não há um plano de ação de emergência amplo, então quem desligará os sistemas em caso de ataques cibernéticos?

O estudo mostrou que apenas 16 das cidades avaliadas contam com parcerias público-privadas para o setor de cibersegurança. E o mais preocupante é que governos e empresas em todas as cidades estudadas estão sob risco de ciberataques, de moderado a muito alto, exceto em sete índices.

O professor Falco alerta que também é preciso melhorar a segurança digital relacionada com a infraestrutura física das cidades, mas que mesmos os centros urbanos mais avançados não estão pensando nisso.

Um outro alerta que o estudo faz é que, se os cidadãos não acreditarem que seus dados estão sendo tratados com segurança pelos órgãos administrativos dos municípios, o projeto da cidade inteligente pode ir por água abaixo. Alice Xu, chefe desse tipo de projeto na cidade de Toronto, explica que a baixa adesão dos canadenses ao aplicativo de rastreamento da Covid-19 do governo federal, de cerca de 15%, parece refletir, em parte, a preocupação dos cidadão com a privacidade. E Toronto não é a única nesse cenário. Essa baixa aceitação é um problema global, revelam estudos citados pela pesquisa da EIU.

Uma recomendação para que um projeto de cidades inteligentes tenha sucesso é se concentrar mais no termo “cidade” e não tanto em “inteligente”, na visão de Aziza Akhmouch, chefe da área de Cidades, Políticas Urbanas e Desenvolvimento Sustentável da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD), que também colaborou com o estudo. “É certo que ninguém quer viver em um ‘local burro’, mas evite pensar que a solução é ter cada vez mais em dados. A solução para as cidades inteligentes é se concentrar nas pessoas e se deixar conduzir pelas demandas com a finalidade de melhorar o bem-estar dos cidadãos”, completa.

Fonte: EIU
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