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A Sigfox reposiciona modelo de negócios

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A Sigfox está reposicionando o seu modelo de negócios para se concentrar menos na infraestrutura de IoT e mais nos dados. Em outras palavras, ajudar as empresas a aproveitar os dados que estão coletando de seus dispositivos conectados, com segurança, ao passar de operadora de rede para prestadora de serviços.

Ao oferecer maior compreensão sobre o valor dos dados e insights que podem ser obtidos, a empresa espera finalmente desencadear a verdadeira revolução da IoT. Para fazer isso, a Sigfox precisa ajudar as empresas a revisar suas operações de forma que a IoT faça sentido e forneça um retorno sobre o investimento.

Fundada em 2009, a empresa desenvolveu uma tecnologia que fornece conectividade para objetos como medidores inteligentes e monitores de temperatura, que consomem pouca largura de banda e exigem tecnologia de baixo custo e consumo de energia extremamente eficiente. Par isso planejou construir uma rede de comunicação global dedicada a dispositivos IoT e, em seguida, cobrar assinaturas dos usuários para usar a rede. Em alguns casos, a Sigfox fez parceria com provedores de telecom com capacidade de ajudar a instalar coisas como antenas de comunicação em vários países. Em outros, a Sigfox construiu sua própria rede.

A intenção inicial era fornecer a tecnologia e os protocolos, bem como toda a rede wireless, necessários para que os objetos compartilhassem suas informações de qualquer lugar do mundo, isso por meio de conectividade via sensores de baixo custo, que requerem pouquíssimo silício e utilizam pouquíssima consumo de energia. A ideia era resolver problemas de custo, consumo de energia e complexidade, fatores que constituem barreiras à adoção da Internet das Coisas.

Mas a tão anunciada revolução da IoT não aconteceu na rapidez e extensão que a empresa havia previsto. Por isso, a Sigfox decidiu se reinventar. No início deste ano, a empresa anunciou que estava vendendo várias das redes que havia construído, incluindo uma na Alemanha. Há rumores de que planeja vender suas redes nos Estados Unidos e na França. Ainda assim, sua infraestrutura está presente hoje em 70 países, segundo Jeremy Prince, recentemente nomeado CEO do Sigfox Group.

A empresa anunciou um novo CEO em fevereiro este ano e promoveu outras mudanças organizacionais como parte da mudança na sua estratégia.

Antes de deixar a companhia francesa para assumir o cargo de head global da estratégia de IoT e BD da Amazon, Ajay B. Rane, então VP de desenvolvimento de negócios do ecossistema global da Sigfox foi bem claro, em uma entrevista à Venturebeat: “Uma das lições difíceis que Sigfox aprendeu nos últimos anos é que não é a melhor solução para muitos casos de uso. Por exemplo, coisas como medição elétrica requerem transferência contínua de dados, então as concessionárias estão em melhor situação usando a transmissão baseada em celular. Por outro lado, os medidores de água e gás funcionam bem com dispositivos Sigfox”, disse.

Agora, a empresa está se concentrando menos na expansão geográfica e mais em alcançar escala, ampliando seus negócios onde já está presente.

Segurança em mente

Rastreamento de ativos e backup de conectividade são os dois casos de uso mais comuns entre os clientes Sigfox.

Com mais de 17 milhões de dispositivos conectados e 70 milhões de mensagens enviadas por dia, a Sigfox ajuda seus clientes a extrair dados cruciais a um custo mais baixo e a acelerar sua transformação digital em áreas­chave, como rastreamento de ativos e cadeia de suprimentos.

A empresa pretende se especializar em rastreamento de ativos na indústria automotiva, na indústria postal, barris de cerveja e veículos roubados. A empresa também enxerga muitas oportunidades para dispositivos de lojas de varejo que podem ajudar a monitorar remotamente a temperatura para coisas como armazenamento de alimentos. E as cidades inteligentes são um mercado em crescimento.

“O objetivo da nossa orientação atual é fornecer serviços de conectividade, geolocalização e segurança a baixo custo e baixo consumo. Isso continua no nosso core business, não iremos para a nuvem para competir com a AWS por exemplo”, diz Franck Siegel, Vice-presidente executivo da Sigfox.

À medida que os casos de uso da IoT se ampliam, a quantidade de dados gerados por esses dispositivos também continua a crescer e, com eles, as ameaças à segurança cibernética.

A IoT fornece uma grande variedade de superfícies de ameaça, pois quanto mais dispositivos houver, mais pontos haverá em uma rede que precisam ser protegidos. Isso significa que há potencialmente um número muito maior de pontos fracos disponíveis para os criminosos cibernéticos atacarem.

Assim como a necessidade de proteger redes e usuários de computação em nuvem implantando sistemas sofisticados de segurança cibernética, as empresas agora reconhecem a necessidade de proteger a multiplicidade de terminais e superfícies de rede onde a IoT é implantada.

Cada dispositivo IoT em uma rede deve ser monitorado, direta ou indiretamente, por meio de software de monitoramento e / ou uma equipe humana supervisionando as coisas. Os usuários devem compreender o comportamento típico de dispositivos e ciberataques para ajudá-los a identificar e se proteger contra ataques.

“Em nossa rede não é possível hackear um dispositivo por meio da infraestrutura. Também não há endereço IP no Sigfox. Você pode transformá-lo em TLS e nós, aliás, temos uma maneira de fazer uma tradução entre Sigfox e IPv6, mas pelo ar e dentro da rede – também nos links entre as estações base ou gateways para a nuvem – há não há dúvida de endereço IP”, explicou Christophe Fourtet, cofundador e diretor científico da Sigfox ao site Security Infowatch.

Além dos benefícios de segurança cibernética da rede 0G da Sigfox, a tecnologia também está sendo usada atualmente para aplicativos de segurança física na Europa. Na verdade, a Securitas alavancou a rede Sigfox como uma tecnologia de comunicação alternativa em 2,8 milhões de sistemas de alarme em todo o continente.

Se quiser conhecer a fundo a estratégia de reposicionamento da Sigfox, a Analysys Mason tem um relatório a respeito (pago).

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